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A programação da II Conferência da Rede CEPAS também contou com dois painéis temáticos dedicados aos principais desafios estratégicos da América Latina: “Estados Unidos, China e Europa: dilemas estratégicos e de segurança para a América Latina” e “Inserção econômica, desenvolvimento produtivo e democracia”. Os debates aprofundaram temas centrais para a agenda regional, articulando os desafios da geopolítica internacional às questões estruturais do desenvolvimento econômico e institucional latino-americano.
O primeiro painel, moderado pelo Embaixador Marcos Caramuru, Conselheiro do CEBRI, reuniu especialistas para discutir como os países latino-americanos podem navegar em um cenário de intensificação da competição entre China e Estados Unidos, ao mesmo tempo em que redefinem suas relações com a Europa. O debate abordou temas como segurança, migrações, inteligência artificial, minerais críticos e infraestrutura estratégica.
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Durante a discussão, Caramuru observou que a rivalidade entre as grandes potências tende a ampliar disputas em áreas estratégicas que impactam diretamente a América Latina, especialmente infraestrutura, inteligência artificial e minerais críticos.
Francisco de Santibañes, Presidente do Conselho Argentino para as Relações Internacionais (CARI), ressaltou a importância de fortalecer a colaboração regional, ampliar seus níveis de coordenação política e diálogo para fortalecer sua capacidade de atuação internacional e enfrentar desafios comuns.
Para José Juan Ruiz, Presidente do Real Instituto Elcano, o mundo está fragmentado, mas o que é realmente mais importante entender é que fragmentado é algo muito simples: que a interdependência econômica, antes entendida como motor do desenvolvimento, passou também a representar uma fonte de vulnerabilidade. “Quanto mais integradas as economias, mais expostas elas se tornam a instrumentos de coerção em um mundo fragmentado”, observou.
O segundo painel abordou os desafios da inserção econômica da América Latina, do fortalecimento institucional e da estabilidade democrática como pilares para um crescimento sustentável. Moderado por Philip Yang, Conselheiro do CEBRI e fundador da URBEM, o debate reuniu especialistas para discutir caminhos para ampliar a produtividade, fortalecer instituições democráticas e construir modelos de desenvolvimento mais inclusivos e sustentáveis, além das contribuições que a América Latina e a Rede CEPAS podem oferecer ao debate internacional sobre crescimento e governança.
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Juan José Díaz, Pesquisador Sênior e Diretor-Executivo do Grupo de Análise para o Desenvolvimento (GRADE),apresentou o caso do Peru como exemplo dos avanços e limitações enfrentados por economias latino-americanas, ressaltando desafios como baixa produtividade, limitada inovação, dependência de exportações pouco complexas e fragilidades institucionais. Para ele, ampliar a competitividade exige reformas voltadas ao fortalecimento institucional, à inovação, ao capital humano e à diversificação produtiva, acompanhadas de políticas públicas sustentáveis e de longo prazo.
Mariana Campos, Diretora-Geral do México Evalúa, analisou os desafios e oportunidades para o México no contexto da reorganização das cadeias produtivas globais. Segundo ela, embora a regionalização econômica amplie oportunidades para o país, especialmente pela proximidade com os Estados Unidos, ela também aumenta vulnerabilidades diante de medidas protecionistas, disputas tarifárias e revisões de acordos comerciais. Nesse contexto, destacou a importância de combinar integração econômica com estratégias de diversificação produtiva e fortalecimento da capacidade competitiva nacional.
Jesús Rodríguez, Membro do Comitê Executivo do Conselho Argentino para as Relações Internacionais (CARI), ampliou o debate para uma perspectiva regional, argumentando que há uma relação direta entre a qualidade das instituições e os resultados econômicos e sociais da América Latina. Em sua análise, observou que o crescimento econômico da região na última década foi inferior ao registrado durante a chamada “década perdida” de 1980, além da persistência da pobreza, dos altos níveis de desigualdade, da fragilidade da governança e do avanço do crime organizado transnacional. Para Rodríguez, esse cenário reforça a necessidade de sistemas políticos mais preparados para responder às transformações globais e aos desafios domésticos.
Ao reunir discussões sobre competição geopolítica global e os desafios do desenvolvimento econômico e institucional da região, os painéis reforçaram a necessidade de respostas coordenadas para fortalecer a posição da América Latina em um cenário internacional em transformação. As contribuições do encontro servirão de base para a elaboração do Documento CEPAS 2026, que sistematizará os principais consensos alcançados e orientará a agenda de trabalho da rede em 2027.