A vice-presidência de Habitação Econômica do Secovi-SP e o Comitê de Habitação Popular do SindusCon-SP reuniram-se nesta quinta-feira, 17 de setembro, em encontro que combinou a atualização de pautas setoriais com a apresentação do Pólis Global, iniciativa conjunta do CEBRI e do Instituto Urbem voltada à articulação do setor imobiliário nas discussões internacionais sobre clima, tecnologia e desenvolvimento urbano.
Durante a apresentação do Pólis Global, Philip Yang, diretor-presidente do Instituto Urbem e conselheiro consultivo e internacional do CEBRI, afirmou: “o Urbem completou 15 anos de atuação com foco na estruturação de projetos na escala urbana. O setor privado é extremamente competente na escala do lote e da incorporação imobiliária, mas a cidade precisa ser pensada também na escala mais ampla, onde as conexões urbanas acontecem”. Sobre a nova iniciativa, disse que “o Pólis Global pretende criar uma plataforma em que o setor empresarial da construção não apenas responda passivamente às transformações climáticas e tecnológicas, mas lidere a formulação de respostas a esses desafios, tanto na esfera nacional quanto nas arenas internacionais”. Philip destacou que “menos de 5% a 10% dos recursos dos fundos climáticos internacionais chegam à escala municipal” e que “toda empresa de incorporação e construção civil muito em breve será, essencialmente, uma empresa de tecnologia”, citando que “no Urbem desenvolvemos ferramentas capazes de sobrepor mais de 180 camadas de dados georreferenciados num único clique, análises que há três anos demandavam meses de consultorias”.
Senior Fellow do CEBRI e Professora Adjunta do Departamento de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fernanda Cimini detalhou os pilares da iniciativa. “Estruturamos o programa do Pólis Global sobre quatro pilares: geopolítica, multilateralismo e cidades; segurança climática; segurança pública e desenho urbano; e inteligência espacial e dados. Na próxima semana, apresentaremos a iniciativa na Climate Week de Nova York, na Missão do Brasil junto à ONU”, informou. Segundo ela, “o programa está desenhado para um ciclo de dois anos, prevendo a criação do Urban Implementation Lab e uma conferência anual, com cotas de copatrocínio institucional e empresarial no valor global de R$ 5 milhões”.
Conselheira Consultiva e Internacional do CEBRI, Izabella Teixeira trouxe reflexões sobre os limites materiais da urbanização. “A demanda mundial por biomassa, minerais metálicos, agregados e cimento vai dobrar até 2060. Como o setor da construção civil brasileira pretende operar nesse cenário de escassez material e pressão descarbonizadora?”, questionou. Sobre a adaptação climática das edificações, afirmou: “não existe solução sustentável baseada em colocar três aparelhos de ar-condicionado em apartamentos de habitação de interesse social, a rede de distribuição elétrica colapsaria. É preciso repensar o desenho arquitetônico, a ventilação natural, a cobertura vegetal urbana e as tecnologias de isolamento térmico”. Izabella também chamou atenção para a realidade amazônica: “80% dos 28 milhões de habitantes da região amazônica vivem em cidades com infraestrutura precarizada. Por que o setor imobiliário nacional não lidera projetos de habitação amazônica sustentável, adaptada ao clima tropical úmido?”.
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