Em um contexto de transformação da ordem internacional, marcado pela intensificação da competição geopolítica, pela reorganização das cadeias globais de valor e pelo crescimento dos investimentos em defesa, os minerais críticos e estratégicos assumem papel central nas discussões sobre soberania e segurança nacional.
Nesse cenário, o CEBRI e o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) realizaram, no dia 21 de julho, uma mesa-redonda que reuniu representantes do governo, da indústria mineral, da academia e de instituições estratégicas para debater como o Brasil pode transformar sua base mineral em capacidade estratégica, articulando minerais críticos, defesa, política industrial, diplomacia econômica e autonomia tecnológica em uma agenda integrada de desenvolvimento.
A abertura reuniu José Pio Borges, Presidente do Conselho Curador do CEBRI, e Pablo Cesário, Diretor-Presidente interino do IBRAM. Em seguida, Mauricio Lyrio, Secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, abordou a interseção entre geopolítica, soberania industrial e o papel dos insumos críticos.
Os painéis de debate reuniram representantes de diferentes instituições. Pelo IBRAM, participaram Fernando Azevedo, Consultor; Pablo Cesário, Diretor-Presidente interino; e Paulo Henrique Soares, Diretor de Comunicação e Projetos. Pelo Ministério da Defesa, participaram o Vice-Almirante Augusto José da Silva Fonseca Junior, Vice-Chefe de Assuntos Estratégicos do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, e o Tenente-Brigadeiro José Augusto Crepaldi Affonso, Presidente-Executivo da ABIMDE.
Também participaram Rafaela Guedes, Senior Fellow do CEBRI; João Marcos Pires Camargo, Diretor do Departamento de Planejamento e Política Mineral do Ministério de Minas e Energia; Hamilton Mourão, Senador e ex-Vice-Presidente da República; e Roberto Ardenghy, Presidente do IBP.
As discussões tiveram como referência o estudo "O Papel do Brasil na Agenda Global de Minerais Críticos e Estratégicos", desenvolvido pelo CEBRI em parceria com o IBRAM. O trabalho mostra que o Brasil possui grandes reservas minerais, incluindo cerca de 23,1% dos recursos globais de elementos de terras raras e a segunda maior reserva mundial, mas ainda enfrenta gargalos nas etapas de separação, refino, metalização, produção de ligas e aplicações industriais.
Iniciado em 2024, o projeto mapeia o potencial mineral brasileiro diante das demandas interna e externa e busca compreender as implicações dessa transição para os setores produtivos e as cadeias de suprimento associadas.
O estudo está disponível em: https://cebri.org/br/doc/399/o-papel-do-brasil-na-agenda-global-de-minerais-criticos-e-estrategicos