O CEBRI, em parceria com o Observatório Interdisciplinar sobre Mudança Climática (OIMC) e a Climate Social Science Network (CSSN), promoveu no dia 27 de agosto o evento Obstrução Climática: Uma Avaliação Global.
O encontro integrou a programação da Rio Climate Action Week e foi um pré-lançamento da obra homônima organizada por J. Timmons Roberts, Carlos R. S. Milani, Jennifer Jacquet e Christian Downie, a ser publicada pela Oxford University Press em setembro de 2025.
Timmons Roberts e Jennifer Jacquet apresentaram aspectos centrais do estudo, que reúne mais de 30 autores em 12 equipes. O livro analisa as estratégias de obstrução conduzidas por setores de combustíveis fósseis, utilities, transporte e agropecuária, além do papel de empresas de relações públicas e de grupos políticos conservadores na disseminação de desinformação climática.
Na sequência, Carlos Milani, Senior Fellow do CEBRI Coordenador do Observatório Interdisciplinar sobre Mudança Climática (OIMC), destacou a relevância do tema e chamou atenção para a escassez de pesquisas dedicadas à obstrução climática no Sul Global. Ele lembrou que, em países como a África do Sul, sindicatos se articulam fortemente com setores extrativistas, como a mineração, em um processo semelhante à centralidade do agronegócio na formação do Estado brasileiro.
Foram destacados capítulos específicos, como o capítulo três, “Coal utilities and transportation impede climate action”, que examina como indústrias de carvão e transporte retardam a descarbonização; e o quatro, “The animal agriculture industry’s role in obstructing climate action”, que evidencia como sistemas agroindustriais contribuem para frear políticas de mitigação, mas também trazem oportunidades de mudança.
Segundo os especialistas, falar em “obstrução climática” transmite a urgência do problema e ajuda a evidenciar os mecanismos que limitam avanços políticos alinhados ao consenso científico.
Nos comentários, Gabriel Gama, jornalista da Folha de São Paulo, observou que, no Brasil, o discurso mais alinhado ao debate de obstrução climática segue vinculado à defesa dos combustíveis fósseis, ainda um desafio central para a política energética nacional.
Já Andrea Hoffmann, Professora Associada no Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio, ressaltou a importância de compreender como a obstrução também se manifesta em arenas multilaterais e em debates sobre governança climática global.
Na interação com o público, Arthur Vargas Facini questionou se seria possível conciliar capitalismo e ação climática. A pergunta reforçou a amplitude das tensões entre interesses econômicos e compromissos ambientais, um dos dilemas centrais abordados pelo estudo.
O seminário evidenciou que, à medida que a ação climática se intensifica e se globaliza, os esforços de obstrução tornam-se mais sofisticados, bem financiados e perigosos. Ao final, Milani destacou que a análise sistemática desse fenômeno, especialmente no contexto de países em desenvolvimento, é essencial para avançar em regulações, litígios e mobilizações sociais capazes de conter seus efeitos.
Parceria: Observatório Interdisciplinar de Mudanças Climáticas (OIMC), Climate Social Science Network (CSSN)