Transição energética justa é o foco das discussões do segundo dia de iniciativas da Rio Climate Action Week na Casa COP

O segundo evento da semana foi realizado pelo Programa de Transição Energética do CEBRI, co-organizado com a Catavento Consultoria, a Global Renewable Alliance (GRA) e a Global Energy Alliance for People and Planet (GEAPP). O evento reuniu representantes do setor privado, pesquisadores, representantes do governo, lideranças da sociedade civil e outras agências especializadas em energia para discussões em quatro painéis distintos.

Mesa setorial de Energia

O primeiro foi uma mesa redonda sobre caminhos setoriais para a mitigação das emissões do setor de Energia. Realizada no âmbito da segunda fase do projeto “Programa de Transição Energética”. Liderado pelo CEBRI em parceria com BID, BNDES, Cenergia (COPPE/UFRJ), EPE, FIPE (USP) e MRTS, o PTE busca identificar caminhos para atingir a neutralidade de carbono no Brasil até 2050. Em sua segunda fase (2024–2025), o programa tem como foco a atualização dos cenários elaborados em 2023, a avaliação dos impactos macroeconômicos dessas trajetórias, a modelagem do balanço de potência a fim de garantir a consistência do sistema elétrico, a realização de testes de factibilidade da penetração de renováveis estimada nos cenários e a construção de roadmaps setoriais com recomendações de políticas públicas. O objetivo final do projeto é contribuir para a implementação das metas climáticas brasileiras de forma custo-eficiente, promovendo ao mesmo tempo o desenvolvimento socioeconômico e consolidando o Brasil como referência global em soluções sustentáveis.

Na mesa, a Senior Fellow do CEBRI e Consultora Internacional da APCO, Rafaela Guedes, apresentou resultados preliminares desse estudo, assim como roadmaps e tendências para descarbonização do setor de energia. 

Após a apresentação, Clarissa Lins, Chair do Programa de Transição Energética do CEBRI e Sócia-Fundadora da Catavento, pôde comentar os resultados destacando a necessidade de inserção brasileira nas cadeias energéticas de baixo carbono. Em seguida, Heloisa Borges, Diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis na EPE, realçou a importância do investimento em eficiência energética. Ricardo Gorini, Head do ReMap na Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA), também contribuiu chamando a atenção para o valor estratégico da eletrificação em um cenário de transição energética, bem como a importância da interação regional para a América do Sul expandir seu potencial energético. Já trazendo uma perspectiva do setor privado, Claudia Brun, Vice-Presidente de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios da Equinor, frisou que a viabilização de tecnologias de captura e armazenamento de carbono deve vir alinhada com um mercado regulado em parceria com o setor privado a fim de viabilizar este mercado no país. Por fim, outros participantes da audiência também puderam contribuir. O objetivo dessa mesa é que essas contribuições sejam absorvidas e abordadas no relatório final do projeto PTE2.

 


Mesa Transitioning Away from Fossil Fuels: Do diagnóstico à implementação

O segundo painel consistiu na apresentação dos principais resultados do estudo “Transitioning away from fossil fuels: A broader perspective to foster implementation”, feito pela Catavento Consultoria com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS) e do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP). As discussões abordaram principalmente os desafios inerentes à transição em países dependentes da indústria de Óleo e Gás, bem como os caminhos potenciais para escalar tecnologias de baixo carbono.

Clarissa Lins, Chair do Programa de Transição Energética do CEBRI e Sócia-Fundadora da Catavento apresentou os principais achados da pesquisa. Em seguida,  o Embaixador André Corrêa do Lago, Presidente da COP30, fez comentários destacando como o estudo se relaciona às preocupações sauditas e chinesas de independência energética e elogiou a introdução no carvão no relatório que possui usos e soluções diferentes dos outros combustíveis fósseis. Em seguida, Ana Toni, CEO da COP30, chamou atenção para os aprendizados regionais e setoriais trazidos pelo estudo.

André Clark, Vice Presidente Sênior na Siemens Energy Latin America e Vice Presidente, Siemens Energy Brazil, frisou como a eficiência energética não é apenas um tema de produtividade econômica, mas também de descarbonização. Além disso, Clark salientou a relevância das tecnologias de grids e de fronteira, como novas tecnologias para energia nuclear como peças essenciais nessa empreitada da descarbonização. Trazendo uma perspetiva do setor de óleo e gás, Viviana Coelho, Gerente executiva de Mudança Climática na Petrobras, explicou que é difícil agir isoladamente e ressaltou a necessidade de uma sólida agenda de ação (action agenda) para promover  o engajamento do setor privado de petróleo. Voltando à perspectiva da COP 30, Alice Amorim, Diretora de Programa na COP30, trouxe a necessidade de encontrarmos medidas efetivas para realizar a transição. Ela também realçou a importância de desenvolvermos massa crítica para nossa própria transição e pensar a estratégia para além da COP30.

 


Mesa Setorial de Transportes

O terceiro painel foi, assim como o primeiro, dedicado ao PTE2. Desta vez, o foco esteve nos caminhos para a mitigação das emissões do setor de transportes. Rafaela Guedes foi novamente responsável por apresentar os dados, enquanto a moderação ficou a cargo de Guilherme Dantas, Pesquisador Sênior do CEBRI e Sócio da Essenz Soluções.

O Embaixador Michel Arslanian Neto, Representante do Brasil no Conselho da ICAO, destacou que o país deve ter um senso de urgência em relação aos combustíveis sustentáveis para aviação, ressaltando o potencial brasileiro na produção de Sustainable Aviation Fuel (SAF) e suas oportunidades de desenvolvimento econômico. Em seguida, Erica Marcos, Gerente Executiva Ambiental na Confederação Nacional do Transporte (CNT), mencionou a Lei do Combustível do Futuro (Lei 14.993/2024) e ressaltou a necessidade de pensar em investimentos em inovação, gestão de resíduos, redução de custos e escalabilidade das soluções sustentáveis.

Tiago Ferreira, Head de Logística e Transporte no BNDES, trouxe contribuições valiosas sobre as categorizações do estudo e chamou atenção para a necessidade de se investir em eficiência no setor de transportes. Medidas como a melhoria das rodovias aumentam a eficiência e, consequentemente, reduzem as emissões. Assim como no primeiro painel, o objetivo desta mesa é que essas contribuições sejam incorporadas ao relatório final do projeto PTE2.


Mesa Pobreza Energética na América Latina

Por fim, o último painel foi uma mesa sobre pobreza energética na América Latina. Ela foi inaugurada por André Dias, Diretor Universalização de Energia, Ministério de Minas e Energia (MME), que elencou os principais marcos e conquistas do Programa Luz para Todos desde sua criação. Em sua fala, André enfatizou os impactos sociais e econômicos da expansão do acesso à energia elétrica, além de apresentar dados atualizados sobre a universalização do serviço. Em seguida, Valcléia Lima, Superintendente de Desenvolvimento Sustentável de Comunidades da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), fez uma fala inspiradora abordando  os desafios do combate à pobreza energética nas comunidades da Amazônia profunda.

Tiago Ivanoski, Diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais na Empresa de Pesquisa Energética (EPE), apresentou iniciativas da empresa, dando destaque ao Observatório Brasileiro de Pobreza Energética (OBEPE). Já trazendo as contribuições do setor privado, Solange Ribeiro, Vice-presidente na Neonergia e Vice-Chair no UN Global Compact, destacou iniciativas da Neoenergia na reunião Nordeste, como a capacitação de mulheres eletricistas. Por fim, Luisa Valentim, Líder Brasil da Global Energy Alliance for People and Planet (GEAPP), trouxe o papel da GEAPP na defesa pela universalização do acesso à energia em todo o mundo. Segundo ela, são 685 milhões de pessoas sem acesso à energia elétrica no planeta. Essa restrição afeta o acesso à água, alimento, educação e outros direitos básicos. Todos os painelistas também reforçaram a energia elétrica como força essencial para o desenvolvimento socioeconômico de comunidades vulneráveis e destacaram com casos reais como a chegada da eletricidade provoca também a geração de trabalho e de renda. Roberta Cox, Diretora para COP30 da Global Renewables Alliance (GRA) moderou o painel reforçando a relevância do tema para a pauta climática.

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