Entre os dias 13 e 15 de fevereiro, ocorreu a 62ª Conferência de Segurança de Munique (MSC), reunindo líderes de Estado e altos representantes de todo o mundo sob a Munich Rule: “Engage and interact with each other: don’t lecture or ignore one another.” A agenda abrange uma ampla gama de questões, incluindo a segurança e a defesa europeias, o futuro da relação transatlântica, a revitalização do multilateralismo, as visões concorrentes sobre a ordem global, os conflitos regionais e as implicações securitárias dos avanços tecnológicos, entre outros.
No entanto, a competição entre grandes potências e o enfraquecimento dos modelos tradicionais de governança trouxeram à tona novas dinâmicas para a conferência, especialmente sobre as relações dentro do Ocidente. Em contraste com a atenção dedicada à China em edições anteriores, foi a dinâmica entre os Estados Unidos e a Europa que dominou o debate.
Em 2026, observou-se um posicionamento mais contido, porém ainda enfático, dos Estados Unidos: Washington sinalizou disposição para parcerias, porém em termos redefinidos, recusando o papel de guardião da ordem ocidental. O representante americano, Marco Rubio, argumentou que os EUA não se opõem à OTAN ou à ordem internacional como tais, mas que os Estados Unidos não estão dispostos a sustentar essas estruturas e desempenhar funções que não beneficiem diretamente o povo americano.
Diante desse reposicionamento, o debate sobre a autonomia estratégica europeia deixou o campo das abstrações para assumir contornos concretos. Com efeito, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, convocou a operacionalização da cláusula de defesa mútua do Tratado da União Europeia, afirmando que a defesa coletiva é uma obrigação prevista no próprio Tratado, não uma opção.
Nesse contexto, o CEBRI busca fomentar um debate qualificado sobre os principais desdobramentos da 62ª Conferência de Segurança de Munique, com ênfase nos highlights do evento, em suas implicações para a Europa, nos impactos sobre o sistema internacional e nos desafios colocados pela conjuntura geopolítica contemporânea.
10h às 11h
Português
Entre os dias 13 e 15 de fevereiro, ocorreu a 62ª Conferência de Segurança de Munique (MSC), reunindo líderes de Estado e altos representantes de todo o mundo sob a Munich Rule: “Engage and interact with each other: don’t lecture or ignore one another.” A agenda abrange uma ampla gama de questões, incluindo a segurança e a defesa europeias, o futuro da relação transatlântica, a revitalização do multilateralismo, as visões concorrentes sobre a ordem global, os conflitos regionais e as implicações securitárias dos avanços tecnológicos, entre outros.
No entanto, a competição entre grandes potências e o enfraquecimento dos modelos tradicionais de governança trouxeram à tona novas dinâmicas para a conferência, especialmente sobre as relações dentro do Ocidente. Em contraste com a atenção dedicada à China em edições anteriores, foi a dinâmica entre os Estados Unidos e a Europa que dominou o debate.
Em 2026, observou-se um posicionamento mais contido, porém ainda enfático, dos Estados Unidos: Washington sinalizou disposição para parcerias, porém em termos redefinidos, recusando o papel de guardião da ordem ocidental. O representante americano, Marco Rubio, argumentou que os EUA não se opõem à OTAN ou à ordem internacional como tais, mas que os Estados Unidos não estão dispostos a sustentar essas estruturas e desempenhar funções que não beneficiem diretamente o povo americano.
Diante desse reposicionamento, o debate sobre a autonomia estratégica europeia deixou o campo das abstrações para assumir contornos concretos. Com efeito, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, convocou a operacionalização da cláusula de defesa mútua do Tratado da União Europeia, afirmando que a defesa coletiva é uma obrigação prevista no próprio Tratado, não uma opção.
Nesse contexto, o CEBRI busca fomentar um debate qualificado sobre os principais desdobramentos da 62ª Conferência de Segurança de Munique, com ênfase nos highlights do evento, em suas implicações para a Europa, nos impactos sobre o sistema internacional e nos desafios colocados pela conjuntura geopolítica contemporânea.
Professor do Instituto de Relações Internacionais da USP
Ex-Secretário Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (2016-2018), Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Lancaster (Reino Unido) e Conselheiro Internacional CEBRI