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Terrorismo e Contra-terrorismo

16/03/2006

O CEBRI realizou, no dia 16 de março de 2006, a palestra intitulada "Terrorismo e Contra-Terrorismo: os desafios de Governos e sociedades no século XXI" com Ely Karmon...

O CEBRI realizou, no dia 16 de março de 2006, a palestra intitulada "Terrorismo e Contra-Terrorismo: os desafios de Governos e sociedades no século XXI" com Ely Karmon, consultor para assuntos de terrorismo do governo de Israel, da ONU e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e especialista do prestigiado Institute for Counter-Terrorism (ICT). Karmon comentou que a criação do Instituto, após os acontecimentos trágicos de Oklahoma, contou com o apoio dos EUA. Contudo, somente com os ataques de 11 de setembro que o terrorismo passou a ser visto pelo Governo daquele país como uma real ameaça. O instituto é um think tank, cujo principal objetivo é apoiar a cooperação internacional no combate ao terrorismo.

Afirmou que o Oriente Médio é uma região extremamente complexa e conturbada, e confessou que no ano passado encontrava-se mais otimista com os desdobramentos das iniciativas de paz na região. Karmon explicou que no início, a Al-Quaeda era uma organização patrocinada por alguns Estados como a Arábia Saudita, Paquistão e os EUA, situação que se manteve até o fim da Guerra do Golfo. Ao final da Guerra, a organização chefiada por Bin Laden transferiu suas bases para o Sudão, onde recebeu treinamento e armas dos Talibãs. Para ele, a questão que se coloca é como uma organização relativamente pequena (700 combatentes) teve a audácia de atacar os EUA e atribui a ação, em boa medida, ao fato da Al-Quaeda não ter se intimidado diante do "Poderio Americano". Karmon ressaltou ainda que alguns eventos ocorridos no passado, como os ataques às Embaixadas norte-americanas e os seqüestros no Irã, constituíram precedentes importantes para as ações da organização.

Karmon ilustrou que a Guerra do Iraque representou um grande impulso às atividades da Al-Quaeda, uma vez que milhares de voluntários iraquianos se dispuseram a lutar contra os EUA. No Iraque, há aproximadamente trinta organizações islâmicas, no entanto, o maior inimigo dessas organizações sunitas são justamente os membros da ala shiita e não os EUA. Nesse sentido, algumas mudanças significativas ocorreram, a exemplo do combate de Bin Laden aos shiitas e o apoio da Arábia Saudita à Al-Quaeda.

O Irã, por sua vez, é controlado por shiitas e se encontra numa situação delicada, visto que é fortemente monitorado pelos EUA e a maioria dos campos petrolíferos localizados no mundo árabe é habitada por shiitas simpatizantes da ala governista iraniana. O Irã financiou grupos terroristas durante a década de 1980, mas atualmente o desenvolvimento da tecnologia nuclear parece ser seu grande objetivo. Segundo Karmon, o ataque dos EUA ao Iraque serviu como aviso aos líderes iranianos, embora a situação seja muito mais complexa.

No que se refere ao conflito árabe-palestino, Karmon disse que a situação é complicada por envolver uma quantidade grande de atores. Assegurou, ainda, que não haverá qualquer possibilidade de negociação com o Hamas. Para ele, a solução do terrorismo depende de uma eficaz coordenação dos elementos econômicos, psicológicos e militares.



Centro Brasileiro de Relações Internacionais