Version EnglishENGLISH VERSION

Shepard Forman fala sobre Multilateralismo

28/07/2005

O CEBRI recebeu, no dia 28 de julho de 2005, o Diretor do Centro de Cooperação Internacional da Universidade de Nova Iorque, Shepard Forman, que proferiu palestra intitulada "Mudanças no Sistema Multilateral: novos desafios, novos atores".

O CEBRI recebeu, no dia 28 de julho de 2005, o Diretor do Centro de Cooperação Internacional da Universidade de Nova Iorque, Shepard Forman, que proferiu palestra intitulada "Mudanças no Sistema Multilateral: novos desafios, novos atores". Forman veio ao Brasil ministrar um curso organizado pelo Viva Rio e o Centro Edelstein. Forman apresentou três maneiras de se pensar o multilateralismo, a saber: o multilateralismo como um bem em si, ou seja, como um fim benéfico a se perseguir; o multilateralismo como uma série de arranjos entre dois ou mais estados cuja manifestação mais conhecida são as organizações internacionais; e, eleita pelo palestrante como a maneira mais adequada, o multilateralismo como um processo em evolução constante.

Forman explicou que dentre os atores não estatais estão incluídos desde as Organizações Não Governamentais e Organizações da Sociedade Civil, até um novo fenômeno, que consiste em indivíduos ricos que utilizam recursos particulares para investir em programas. A participação de atores não estatais pode ser boa ou ruim, a exemplo de Ted Turner que investe em prol de medidas pacíficas, ou de Osama Bin Laden que seria a demonstração maléfica desta lógica. Vale ressaltar que as próprias ONGs podem ser conduzidas para fins controversos, uma vez que são independentes e não têm obrigatoriedade de reportar suas atividades à nenhuma outra estrutura formal. Os novos agrupamentos de Estados, tais como o G4, o G8 ou o G20, por exemplo, se reúnem a portas fechadas e assinam documentos sobre os quais não há garantia de manutenção do compromisso em caso de mudança na liderança política.

No que diz respeito à reforma da ONU, utilizou o clichê de que o mundo mudou muito desde que a Organização foi criada. A participação de atores do setor privado se expandiu, e as atividades vão muito além das Organizações Internacionais e ONGs. Hoje, várias forças atuam em setores que já foram território de ação exclusiva do Estado. Cada vez mais, decisões importantes passam pelo controle de grupos informais ou ad hoc e diversas vezes as soluções que provêm de grupos menores são mais eficazes do que as de grandes grupos intergovernamentais. Requer-se crescentemente uma parceria entre as nações, entre os governos com esses novos atores.

Durante o debate foi questionado se seria possível resolver o terrorismo por meio de negociação ou se esta é uma questão utópica. Em resposta, Forman lembrou que negociações com grupos terroristas, embora negadas, existem há muito tempo, e o terrorismo dificilmente será extinto, dado que é o único instrumento de poder de pessoas como Osama Bin Laden e Saddan Hussein. Atualmente a situação é ainda mais complicada, pois o terrorismo não tem como alvo um país ou a luta pela liberdade de um povo, mas pretende derrubar um sistema, um modo de pensar, de viver. Poderá levar décadas, muito derramamento de sangue e uma profunda apreensão antes de se chegar próximo à uma solução.

Indagado sobre a ineficácia da ONU diante das ações unilaterais de grandes potências, Forman advertiu que não se pode culpar a ONU por estas atitudes, que não são indício de ineficácia da Organização, mas do sistema de veto. O Embaixador Gelson Fonseca complementou dizendo que estudos sobre o papel dos EUA no multilateralismo revelam que a ONU é essencial. A ONU tem importância fundamental na manutenção e construção da paz no pós-conflito. Evidente que falhas ocorreram, não apenas por culpa dos EUA, mas de vários membros. As tropas de manutenção de paz não são da ONU, mas dos países que fazem parte dela. De certa forma ela é responsável, pois não deveria enviar tropas despreparadas, mas não pode ser condenada por todas as dificuldades causadas pelos Estados-Membros.



Centro Brasileiro de Relações Internacionais