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Quando um não quer, dois não brigam. Quando dois não querem...

02/08/2014

Leonardo Paz

Dos tantos conflitos do nosso presente momento, poucos são tão complexos quanto o que está acontecendo na Faixa de Gaza. Não apenas pela dificuldade de entender suas raízes e motivações, mas, sobretudo pela dificuldade de se conseguir enxergar no horizonte uma solução factível e interessante para os dois lados.

O conflito 'moderno' entre Israel e palestinos naturalmente apenas pode ser datado desde a criação de Israel, mas suas raízes vão muito além e vão a mais de 1400 anos. Difícil inclusive para nós brasileiros pensarmos nesta perspectiva histórica, dado que temos pouco mais de 500 anos...

A antiguidade dessa disputa política/geográfica somada ao caráter religioso faz uma mistura explosiva, que por sua vez torna toda essa situação muito emocional. Há poucos moderados. Quase tudo é visto como um jogo de soma zero. Se você entende o ponto de vista dos palestinos, você automaticamente é categorizado com inimigo de Israel (e por consequência dos judeus, o que deveria ser muito diferente). Entender as preocupações de defesa dos israelenses, por definição lhe define fiador das mortes dos palestinos.

Essa incrível polarização tem sido muito ruim para o debate, justamente por que ela tem não apenas incitado o conflito, mas também tem criado espaços para grupos ou setores mais radicais dos dois lados. Desta maneira o conflito tem se retroalimentado de maneira trágica, tanto para os palestinos em Gaza, quanto para os cidadãos de Israel (sejam judeus ou não).

Uma possível solução para o atual impasse tem de passar por comprometimentos. Ambos têm de ceder um pouco. Israel tem que diminuir o estado de sítio que Gaza vive hoje e o Hamas tem de dar passos na direção do desarmamento e da transferência da sua "luta" para a esfera política. Esta é uma daquelas situações onde os dois têm razão, mas ambos estão errados.

Matéria publicada originalmente no Diário do Nordeste, em 02/08/2014.



Centro Brasileiro de Relações Internacionais