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A luta dos ucranianos por um novo futuro

12/12/2013

Sophie Crockett e Thainá Leite

Ao longo dos últimos anos, a Ucrânia iniciou um diálogo com a União Europeia (UE) em busca de um acordo para sua possível inserção no bloco regional. Contudo, a partir de novembro deste ano, esse diálogo diminuiu de maneira significativa devido a uma aproximação do país com a Rússia. Isso despertou uma revolta da população, que defende uma maior aproximação com a UE, e contribuiu para aumentar ainda mais a insatisfação com o governo do atual Presidente Viktor Yanukovytch.

O que significa essa aproximação com a Rússia?

O possível acordo entre a Rússia e Ucrânia faz parte de uma iniciativa do governo do Presidente Putin de integrar países da antiga União Soviética (URSS) em uma União Aduaneira, com semelhanças à estrutura da União Europeia. O diálogo entre ambos os países se intensificou após o governo ucraniano ter demonstrado interesse em cooperar comercial e economicamente com diferentes setores da Rússia.

Segundo informações que chegaram aos opositores do governo ucraniano, o Presidente Yanukovytch já teria supostamente se comprometido com um acordo – que pode ser assinado ainda em dezembro – para entrar na tal União Aduaneira, recebendo em troca o fornecimento de gás natural a custos mais baixos.

Porém, acredita-se que os benefícios do acordo entre a Rússia e a Ucrânia se estendem além dos interesses econômicos. Aqui, lembra-se que um dos descontentamentos por trás da Revolução Laranja de 2004 era que o então eleito Presidente Yanukovytch possuía uma ideologia “pró soviética”, alinhada as políticas do Presidente russo, Vladimir Putin. 

O que está acontecendo agora?

A decisão do governo ucraniano de se recusar a assinar o tratado com a UE foi vista como “a gota d’água”, o que resultou no início das manifestações contra o governo, no início deste mês, tendo como uma das reivindicações a saída do Presidente Viktor Yanukovytch.

Os protestos não surpreenderam apenas o governo ucraniano, mas também o resto do Leste Europeu e os países do Ocidente. A derrubada da estátua de Lênin, símbolo da URSS, demonstrou que grande parte da população é contra uma maior aproximação entre a Rússia e a Ucrânia. Há demandas por maior diálogo do país com a União Europeia e pela revisão do governo de sua decisão de se recusar a assinar o tratado de associação e livre comércio com o bloco europeu.

Durante esses últimos dias de protestos, ONGS como a Human Rights Watch receberam diversas denúncias de abuso por parte da polícia ucraniana, fatos que foram reconhecidos pelo Primeiro-Ministro ucraniano Mikola Azarov, que prova que o governo ucraniano está despreparado para lidar com esse tipo de situação. Entretanto, no dia 6 de dezembro, o governo e oposição chegaram a um acordo para investigar a repressão violenta aos manifestantes.

O futuro da Ucrânia

A pressão dos manifestantes pela renúncia do Presidente desperta uma preocupação do governo e das forças armadas de um possível golpe. Os próximos dias serão críticos e delicados para o governo de Yanukovych, com a visita de Catherine Ashton, a Alta Representante da União Europeia para Relações Exteriores e Políticas de Segurança, marcada para esta terça e quarta (dia 10 e 11 de dezembro).

Opositores do governo acreditam que uma maior aproximação com a UE poderá abrir portas para novas oportunidades de trabalho e afastar o país da ‘antiga repressão soviética’ e da esfera de influência política da Rússia.



Centro Brasileiro de Relações Internacionais