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Fishlow fala das economias mundial, dos Estados Unidos e do Brasil

25/08/2005

O CEBRI recebeu, no dia 25 de agosto de 2005, Albert Fishlow, Diretor do Instituto de Estudos Latino-americanos e do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Columbia, para proferir a palestra intitulada "As Conseqüências Internacionais do Desempenho atual da Economia dos EUA".

O CEBRI recebeu, no dia 25 de agosto de 2005, Albert Fishlow, Diretor do Instituto de Estudos Latino-americanos e do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Columbia, para proferir a palestra intitulada "As Conseqüências Internacionais do Desempenho atual da Economia dos EUA". Segundo o Fishlow, os EUA estão imersos numa guerra e, sua economia apresenta um considerável déficit em conta corrente e uma baixa taxa de poupança. O Brasil, por outro lado, está protegido na economia global, embora dependa enormemente da mesma.

O déficit da conta corrente americana, atualmente de 5% do PIB, vem crescendo de modo contínuo desde o início da guerra do Iraque e as projeções indicam que atingirá 7% em 2006. Há indícios de que o déficit americano cresce desde 1992. Para Fishlow, é importante lembrar que a conta dos EUA no fundo é positiva, na medida em que pagam juros muito baixos e recolhem altos juros em seus investimentos nas indústrias espalhadas ao redor do mundo. Caso ocorra um aumento da taxa de juros americana, é provável que ocorra uma bolha de reversão de lucros.

Apesar de no início da década de 80 o Japão ter sido líder na economia mundial, hoje ele depende do mercado chinês para suas exportações. Assim, pode-se dizer que a China tem influência direta no crescimento da economia japonesa. Na concepção de Fishlow, o petróleo poderá se constituir no maior responsável por um choque na economia mundial. O preço do barril chegou a US$ 67 e é possível que atinja US$ 100. Em parte, este aumento ocorre, devido ao maior consumo de países como a Índia e a China que crescem, respectivamente, a 6% e 9% ao ano. Com relação à China, Fishlow admite que o país emergente tem crescido aceleradamente, em especial nos últimos 20 anos, mas ressalta que ainda possui grandes assimetrias, como a baixa renda per capita.

Durante o debate, Fishlow respondeu à algumas perguntas e afirmou que a economia dos EUA crescerá até 2006, não vê grandes problemas a curto prazo, mas o déficit público em conta corrente lhe parece preocupante. Sobre a Venezuela, cuja situação considera mais crítica, Fishlow crê que Chavez tem interesse em ser um novo Fidel, o que representa um problema para os EUA. A solução deve ser elaborada por meio de uma ação regional e, neste sentido, o Brasil pode assumir o importante papel de mediador para o estabelecimento de um diálogo sério. O nível de renda na Venezuela é outro fator a ser observado, pois se encontra abaixo dos patamares da década de 60.



Centro Brasileiro de Relações Internacionais