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Delfim Neto fala sobre o crescimento econômico brasileiro

17/04/2006

O CEBRI realizou, em 17 de abril de 2006, na sede do Unibanco, em São Paulo, um almoço-debate com o deputado Delfim Neto e um seleto grupo de empresários, em torno do tema "O potencial de crescimento do Brasil e seu impacto nas relações internacionais" .

O CEBRI realizou, em 17 de abril de 2006, na sede do Unibanco, em São Paulo, um almoço-debate com o deputado Delfim Neto e um seleto grupo de empresários, em torno do tema "O potencial de crescimento do Brasil e seu impacto nas relações internacionais" .

Inicialmente, o deputado chamou a atenção para o desafio brasileiro de promover o crescimento econômico de forma sustentada. Ressaltou que o último registro de altos índices de crescimento no País, da ordem de 5,8%, ocorreu no Governo Itamar. Lembrou, contudo, que a inflação deste período atingia cerca de 500% ao ano.

Delfim Neto se referiu à concepção do Plano Real como um dos acontecimentos mais brilhantes da história econômica brasileira, embora também tenha provocado vulnerabilidade externa e o aumento da dívida interna. Para honrar o pagamento dessa dívida, o Estado passou a se apropriar de parcela significativa do PIB, valor que estava disponível para financiar e propiciar maiores condições de crescimento ao setor privado.

Delfim apontou que hoje, no entanto, o principal problema enfrentado pelo Brasil é o aumento dos gastos governamentais, tendo manifestado forte preocupação diante da queda no superávit primário, que por sua vez, eleva a taxa real de juros. Sendo assim, considera que a única solução viável seria o corte significativo e o controle rigoroso das despesas públicas, uma vez que não se poderia aumentar ainda mais a arrecadação de impostos no Brasil.

Alertou, ademais, que o novo Presidente teria que possuir predisposição, a exemplo de Jânio Quadros, de unir o País em torno de um consenso nacional, que lhe permitisse realizar as necessárias reformas previdenciária, trabalhista, tributárias, manter o equilíbrio fiscal e promover mudanças em nossa Constituição.

Ao debate que se seguiu, Roberto Macedo, professor da FAAP, indagou sobre a proposta do deputado de Déficit Zero e seu encaminhamento no Governo Lula. Delfim informou que de sua elaboração participaram o próprio presidente, os ministros Pallocci, José Dirceu e Paulo Bernardo, e o senador Mercadante, mas que a discussão foi paralisada em decorrência da crise política.

O empresário Roberto Teixeira da Costa demonstrou preocupação com o crescimento de acordos bilaterais assinados entre os EUA e os países da América Latina, bem como com o distanciamento do Congresso Nacional da agenda internacional. Delfim observou que a própria Constituição afasta os congressistas, pois seu mecanismo decisório não permite emenda e as propostas só podem ser integralmente aceitas ou rejeitadas, dinâmica totalmente diferente da de outros países.

Lazaro Brandão, presidente do Bradesco, indagou sobre os problemas gerados pelo trabalho informal. Delfim insistiu na necessidade de se fazer uma reforma trabalhista efetiva. Acrescentou que diversas propostas já foram apresentadas e discutidas, mas que nem as pequenas mudanças são aprovadas, pois o congresso reúne interesses específicos que resultam na proteção trabalhista.

O Embaixador Botafogo, presidente do CEBRI, questionou se diante do impasse interno e do quadro de estagnação econômica que o País enfrenta, uma motivação externa não obrigaria a uma mudança, ao que o deputado respondeu positivamente.

No tocante aos Acordos Internacionais, o ex-ministro Pratini de Moraes não acredita que as negociações da OMC terão resultados concretos. Afirmou que é preciso "desideologizar"a discussão sobre a ALCA e a agenda comercial com os EUA, defendeu ainda a celebração de acordos bilaterais com nossos principais parceiros comerciais, como Rússia, países do Oriente Médio e China.

Botafogo lembrou que não apenas o Congresso está distante, mas também o setor privado e que é preciso trabalhar para que ele atue como força motriz às ações do Governo.

Marcelo Marinho, presidente da Brascan, destacou o forte lobby do setor privado do México em prol do NAFTA e o fenômeno do crescimento chinês.

Por fim, Delfim salientou que a atual política econômica, calcada no tripé - equilíbrio fiscal, câmbio flutuante e sistema de metas de inflação, é um remédio eficaz. Muito embora caiba avaliar a dosagem e superar alguns mitos para que possamos voltar a crescer. Apresentou como condicionantes: a redução da carga tributária interna e da relação dívida/PIB, a manutenção das reservas em níveis satisfatórios e da taxa de juros real em níveis comparativos aos concorrentes brasileiros.



Centro Brasileiro de Relações Internacionais