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Ciclo Eleições: México, América Central e Haiti

20/06/2006

O CEBRI realizou, no âmbito do ciclo "Eleições na América Latina", no dia 20 de junho de 2006, a palestra "Eleições no México, América Central e Haiti", com o Embaixador Gonçalo Mourão, diretor do Departamento de América Central, México e Caribe do Ministério das Relações Exteriores.

O CEBRI realizou, no âmbito do ciclo "Eleições na América Latina", no dia 20 de junho de 2006, a palestra "Eleições no México, América Central e Haiti", com o Embaixador Gonçalo Mourão, diretor do Departamento de América Central, México e Caribe do Ministério das Relações Exteriores.

Inicialmente, o Embaixador Mourão destacou o interesse político no futuro na América Central, devido ao seu grande potencial econômico/comercial. Apontou que os países da América Central ainda estão em busca da democracia. São países que saíram de "duros" processos políticos recentemente, mas têm fortalecido o debate e desenvolvido soluções democráticas rapidamente. Em alguns países, o processo de democratização trouxe a consolidação de partidos políticos tradicionais; em outros, ele caracterizou a pulverização partidária, sem a emergência de uma liderança bem definida. No processo eleitoral deste ano, pôde-se notar o descontentamento com a conjuntura social e o desejo de mudanças no status quo, por meio das eleições. Mourão assinalou o prestígio pessoal do Presidente Lula nesses países, em partidos de diferentes inclinações, e afirmou que devemos evitar a diferenciação esquerda/direita, que não mais se aplica.

No plano comercial, Mourão afirmou que esses países têm uma relação muito dependente dos Estados Unidos, semelhante à do México: entre 80% e 90% de suas exportações são destinadas ao mercado norte-americano. Seria importante diversificarem seus parceiros, e nesse sentido é interessante que o Brasil aproveite para expandir suas exportações para a região. Em seguida, Mourão fez uma breve análise sobre a situação política e as eleições em algum dos países:

A República Dominicana teve eleições legislativas e municipais em maio, de grande importância para a sustentabilidade do Presidente Leonel Fernández, que passou a contar com 22 senadores e maioria na Câmara. Quando eleito, em 2005, Fernández tinha minoria na Câmara e apenas um senador. O aspecto negativo é que tais eleições tiveram sua legitimidade questionada. Em maio, foram também realizadas eleições legislativas em El Salvador. O país possui dois partidos tradicionais, que se fortaleceram após a democratização. O tema preponderante dessas eleições foi migração, uma vez que parte significativas das receitas do País advém de recursos enviados por emigrantes. O Presidente explorou muito esse tema e conseguiu eleger maioria no Congresso.

Honduras teve, em dezembro de 2005, eleições presidenciais e parlamentares. O candidato vencedor, Manuel Zelaya, do Partido Liberal (oposição), obteve 49,9% dos votos, vencendo o candidato do então Presidente, Ricardo Maduro. O Partido Liberal e o Partido Nacional são os principais partidos do País e possuem maioria no Congresso. Nas últimas eleições, partidos menores obtiveram somente 11 assentos no Congresso. Como o voto não é obrigatório, o nível de abstenção é grande.

Na Costa Rica, o descontentamento da população com os problemas sociais é evidenciado no alto nível de abstenção, uma vez que o voto não é obrigatório. Em 2002, o presidente Abel Pacheco foi eleito com 61% de abstenção, demonstrando o enfraquecimento dos partidos tradicionais. Oscar Arias foi eleito, em fevereiro de 2006, com 49,9% dos votos.

Na Nicarágua, a forte presença dos sandinistas desperta preocupações sobre a estabilidade da região. Os partidos de oposição, unidos contra o Presidente Bolaños, que é apoiado pelos EUA, dificultam a aprovação de iniciativas de seu partido. A Igreja tem considerável importância, em função do prestígio pessoal de seu representante, o Cardeal Obando. As eleições presidenciais serão em novembro de 2006 e terão quatro candidatos: um sandinista, um candidato do partido de Arnaldo Alemán (Partido Liberal Constitucionalista), um dissidente sandinista e um dissidente do PLC. A interferência dos EUA nas questões políticas nacionais se dá especialmente no sentido de eliminar a força do partido de Alemán.

O Embaixador Mourão destacou também a forte presença e o Brasil intenso grau de comprometimento do Brasil no Haiti, já que 1.200 soldados brasileiros auxiliam ações de paz da ONU no País. Ele considera que a intervenção brasileira foi positiva prestigiosa. As eleições, realizadas em março, que elegeram René Préval, ainda no primeiro turno, foram pacíficas, para surpresa de muitos críticos.

Por último, o Embaixador apresentou o cenário político do México, que realizará eleições em 2 de julho. O país possui três candidatos principais: Felipe Calderón (PAN), Lopez Obrador (PRD) e Roberto Madrazo (PRI). Embora o candidato do PRI tenha sido derrotado pelo atual presidente, Vincent Fox (PAN), nas últimas eleições, o PRI manteve maioria no Congresso. Fox deixará a presidência com alto nível de aprovação e seu candidato tem boas chances de alcançar a vitória. Já Obrador teve queda nas pesquisas depois que sua imagem foi associada a Chávez. O México possui 71 milhões de eleitores, sendo cerca de três milhões residentes nos EUA.

O Embaixador concluiu a palestra dizendo que há expectativa dos países da América Central em reafirmar acordos comerciais com o Brasil. No caso do México, é preciso encontrar um maior diálogo político bilateral. No debate que se seguiu, foi destacada a influência norte-americana e mexicana na América Central, e a pequena, ainda que crescente, presença comercial brasileira na região. Afirmou-se ainda que América Central não deveria ser ignorada como mercado, já que possui cerca de 40 milhões de habitantes.

Foi exposto que a posição do chanceler mexicano Derbez de defesa da ampliação do Conselho com assento permanente por região e não por país, não admitindo que suas relações com os EUA sejam mediadas por outro país da região, como o Brasil. Sobre o assunto, o Embaixador comentou que a posição do México é muito parecida com a da Espanha em relação à Alemanha e que considera que nossa pretensão é legitimada pela serenidade internacional e comportamento pacífico brasileiro. Afirmou também que é improvável a entrada do México no Mercosul, tendo em vista a relação México-EUA e a impossibilidade mexicana em aceitar as condições que o Mercosul impõe para a entrada de um novo sócio.

 



Centro Brasileiro de Relações Internacionais