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Ciclo Eleições na América Latina: Chile em debate

04/05/2006

O CEBRI realizou, no dia 04 de maio de 2006, uma palestra com o Embaixador do Brasil no Chile e Conselheiro do CEBRI, Gelson Fonseca Jr. , no âmbito do ciclo de debates sobre as eleições na América Latina. O Embaixador buscou traçar as principais razões que levaram Michele Bachelet à Presidência da República chilena.

O CEBRI realizou, no dia 04 de maio de 2006, uma palestra com o Embaixador do Brasil no Chile e Conselheiro do CEBRI, Gelson Fonseca Jr. , no âmbito do ciclo de debates sobre as eleições na América Latina. O Embaixador buscou traçar as principais razões que levaram Michele Bachelet à Presidência da República chilena.

Gelson Fonseca explicou que Michele Bachelet não integrava a elite partidária do país, nem tampouco tinha como plano de carreira candidatar-se à presidência. Contudo, o fato de ter conduzido uma excelente gestão à frente do Ministério da Saúde, durante o governo de Ricardo Lagos, impulsionou a idéia de lançar sua campanha. A eleição de Bachelet expõe a profunda transformação daquela sociedade, dado que ela representa a negação dos estereótipos chilenos: não é católica, possui filhos de dois casamentos, é solteira e defende o uso da pílula do dia seguinte. À primeira vista, soa como surpresa ela ter conseguido conquistar a confiança de um povo tão conservador e arraigado às tradições.

Segundo Gelson Fonseca, no período eleitoral, a derrota do candidato da direita, Joaquim Lavigne, era considerada impossível. Entretanto, houve um desgaste natural de sua imagem, que aliado a uma estratégia de campanha equivocada, levou ao conhecido fracasso. Ademais, no Chile é muito comum que a direita se divida, e o outro candidato da direita era um dos empresários mais ricos do país, cuja campanha milionária conseguiu levá-lo ao segundo turno e não o Lavigne. A campanha chilena se orienta, geralmente, pela forma como os candidatos pretendem levar adiante a economia e por suas propostas para reduzir a desigualdade social. Nesse sentido, procura-se escolher o candidato que possui maior credibilidade para promover essas transformações.

Gelson Fonseca destacou que havia certa desconfiança, por parte da sociedade chilena, acerca da capacidade de liderança de uma mulher à frente do Governo. O ex-presidente, Ricardo Lagos, deixava o governo com um alto índice de aprovação da sociedade, de modo que Bachelet teve que assegurar uma continuidade, assim como apresentar novas alternativas. Bachelet optou por exercer uma liderança participativa junto ao povo e venceu o primeiro turno de forma apertada. Já no segundo turno, Bachelet derrotou o candidato da direita, utilizando uma estratégia de campanha mais moderna e ativa.

O Embaixador afirmou que há muita expectativa quanto ao Governo de Bachelet. Em sua visão, o fato do mandato atual ser mais curto, terá um impacto direto nas decisões e ações empreendidas pelo Governo. Destacou ainda que Bachelet apresenta grande vantagem ao possuir maioria nas duas câmaras. Por fim, Gelson Fonseca explicou as causas da estabilidade chilena, perpetuada ao longo dos anos. Em primeiro lugar, há um enorme consenso acerca do modelo econômico que deve ser adotado e as autoridades e elites políticas têm visões convergentes acerca dos problemas intrínsecos ao modelo. Além disso, o Chile possui um sistema partidário centenário, o que oferece grande solidez à situação política do país. Por fim, Gelson Fonseca falou sobre a vontade do Chile em resolver seus conflitos históricos com Peru e Bolívia e enalteceu as excelentes relações que o País mantém com o Brasil.

 



Centro Brasileiro de Relações Internacionais