Version EnglishENGLISH VERSION

CEBRI recebe estudantes estrangeiros para debate

02/12/2005

O diretor da Cátedra Mercosul da Sciences Po, Alfredo Valladão, organizou no CEBRI, no dia 02 de dezembro de 2005, uma aula-palestra com Pedro da Motta Veiga e André Urani...

O diretor da Cátedra Mercosul da Sciences Po, Alfredo Valladão, organizou no CEBRI, no dia 02 de dezembro de 2005, uma aula-palestra com Pedro da Motta Veiga e André Urani, respectivamente consultor da Confederação Nacional da Indústria e diretor do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, para um grupo de alunos de pós-graduação da Universidade Sciences Po, com o objetivo de oferecer um panorama geral da evolução da economia e situação social brasileira.

Segundo Motta Veiga, o Brasil vivenciou dois períodos bastante antagônicos: um de grande crescimento econômico, e o subseqüente de clara estagnação da economia nacional. Vários fatores impulsionaram o crescimento econômico brasileiro, um deles foi o Brasil ser o único país da região a possuir um parque industrial avançado. Sem dúvida, a experiência brasileira pode ser considerada muito bem-sucedida. Ao final da década de 70, contudo, as crises do petróleo e a do Sistema de Bretton Woods empurraram o país para uma grande recessão.

A crise do Estado brasileiro possuía duas dimensões muito claras: uma macroeconômica, na qual ficou evidente o fato de o Estado ser incapaz de financiar o desenvolvimento e atrair investimentos externos; além da crise regulatória, na qual verificou-se um crescimento vertiginoso das taxas de inflação. Para Motta Veiga, também é importante mencionar a crise política do final da década de 70, resultado do processo de democratização. A década de 80 sempre foi rotulada como a "década perdida", embora os primeiros passos para a retomada do processo democrático tenham avançado justamente nesse período. A década de 90, por sua vez, corresponde a um período completamente distinto, o Brasil iniciou seu processo de abertura comercial, indicando claramente uma mudança no paradigma desenvolvimentista brasileiro. A abertura comercial foi acompanhada de um vasto processo de privatização de empresas públicas nacionais. Apesar da crítica de muitos analistas sobre esse processo, seria impossível retomar o modelo de substituições de importações presenciado na década de 70, pois as condições político-econômicas eram completamente diferentes. Por fim, em 2002, Lula chegou ao poder prometendo colocar em prática as reformas sociais que não haviam sido prioridade de seus antecessores. Em virtude de sua humilde origem e histórico político, havia uma grande expectativa nesse campo. Contudo, é consenso que o governo atual vem seguindo as mesmas diretrizes do último Governo de Fernando Henrique Cardoso.

Em seguida, André Urani falou sobre o desemprego e a pobreza no Brasil. Segundo Urani, o Plano Real introduziu uma série de reformas institucionais que foram essenciais para a melhoria da situação econômica e social da população brasileira. Os indicadores sociais demonstram que a pobreza diminuiu e o nível educacional elevou-se. Além disso, a expectativa de vida da população aumentou consideravelmente, ainda que não esteja próxima aos patamares dos países desenvolvidos.

Para Urani, uma questão que deve ser esclarecida é que o Brasil não é um país pobre, mas possui uma parcela da população muito pobre. O dilema social brasileiro é a grande desigualdade existente entre os mais pobres e os mais ricos. A desigualdade social se manteve constante durante os últimos anos e representa um impasse para quaisquer mudanças na melhoria da condição de vida da população. A solução desse problema encontra resposta numa reformulação do Estado brasileiro. Na América Latina, o único país que foi capaz de realizar uma reforma eficiente do Estado foi o Chile de Pinochet, mas não crê que este exemplo possa ser usado como parâmetro.



Centro Brasileiro de Relações Internacionais