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CEBRI inaugura ciclo de debates

22/02/2006

O CEBRI inaugurou, no dia 22 de fevereiro de 2006, o ciclo de debates sobre as eleições na América Latina, com palestra do Embaixador José Eduardo Martins Felício, Subsecretário Geral da América do Sul do Itamaraty.

O CEBRI inaugurou, no dia 22 de fevereiro de 2006, o ciclo de debates sobre as eleições na América Latina, com palestra do Embaixador José Eduardo Martins Felício, Subsecretário Geral da América do Sul do Itamaraty. O Embaixador José Botafogo Gonçalves, Presidente do CEBRI, abriu o evento destacando a efervescência e importância dos processos eleitorais na região, tanto para a sociedade civil, como para a política externa brasileira.

O Embaixador Felício discorreu sobre a crença na tendência de "esquerdização" dos processos eleitorais na América Latina. Acredita que, embora seja possível identificar alguns elementos explicativos dessa nova dinâmica política no continente, é necessário se manter atento às diferenças de cada realidade nacional.

Para Felício, de modo geral, é possível apontar duas razões principais que explicam o fenômeno da "esquerdização". Em primeiro lugar, os resultados insatisfatórios do modelo econômico neoliberal adotado por grande parte dos países da região. A abertura comercial promovida pelo Estado e os efeitos das privatizações não trouxeram os benefícios esperados. Outra razão seria a perda de prestígio dos partidos tradicionais, fator decisivo para o fortalecimento de partidos alternativos. O caso do Uruguai é ilustrativo, visto que a aliança do presidente Tabaré Vazquez rompeu o revezamento entre o Partido Blanco e o Partido Colorado, que perdurava no poder por mais de 70 anos.

Felícioindicou que o caso brasileiro gerou uma influência significativa nos rumos dos processos eleitorais da região, tanto que o presidente da Bolívia, Evo Morales, não hesita em afirmar que se inspira na figura de Lula e no modelo de organização do PT. Segundo ele a eleição de Morales representa uma mudança significativa, mas ainda se apresenta como incógnita para a maioria dos analistas políticos. A responsabilidade do novo Governo da Bolívia é muito grande, visto que houve um aumento das reivindicações populares.

Com relação ao Chile, o subsecretário destacou a aproximação da democracia cristã ao socialismo como responsável por alçar Ricardo Lagos ao poder, e que seu prestígio parece ter sido transferido à sucessora, Michelle Bachelet. No plano econômico, não se espera grandes transformações, mas por outro lado, acredita-se que haverá uma maior preocupação com as políticas sociais.

Felícioapontou que a Argentina vem passando por um processo de reestruturação, após a grave crise econômica que explodiu em inícios de 2001. O atual presidente, Néstor Kirchner, foi eleito com apenas 22% dos votos. As eleições recentes, no entanto, deram maior legitimidade à sua vitória, na medida em que seu partido se fortaleceu ao eleger diversos candidatos.

Para a Colômbia, Felíciocrê na reeleição do presidente Álvaro Uribe, que não só focou suas atividades na questão da violência, como vem conseguindo alcançar resultados expressivos em matéria de segurança. Em contrapartida, as eleições no México tendem a ser as mais disputadas dos últimos tempos. Após 75 anos no poder, o Partido Revolucionário Institucional (PRI) perdeu as últimas eleições para o atual presidente, Vicente Fox do Partido da Ação Nacional (PAN). No entanto, é o candidato do Partido Revolucionário Democrata (PRD), López Sobrador, que vem liderando as pesquisas e se associando a grupos ligados à esquerda.

Felíciolembrou que ainda este ano haverá eleições parlamentares na Venezuela, possivelmente marcadas por muita polêmica e confusão. A oposição ameaça não participar das eleições em repúdio às políticas do Governo de Hugo Chávez. O Brasil se dispôs a conceder ajuda na organização das eleições. De todo modo, observadores internacionais estarão presentes para garantir a legitimidade do processo.

Por fim, o Embaixador Felíciocomentou que ainda é complicado fazer qualquer tipo de prognóstico para as eleições no Peru, onde a sociedade parece estar descrente da política. A candidata conservadora, Lourdes Flores, no momento, lidera as pesquisas de opinião por uma margem muito pequena e há uma briga acirrada pelo segundo lugar entre os candidatos Humala e Alan García.



Centro Brasileiro de Relações Internacionais