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Amazônia e a Integração Física Sul-americana

12/02/2008

O CEBRI organizou, no dia 12 de fevereiro de 2008, a mesa-redonda "Amazônia e a Integração Física Sul-americana: conservação e valoração dos serviços ambientais com desenvolvimento econômico", que contou com a palestra de Pedro Bara, Diretor de Política para a Amazônia da WWF, e os comentários de Enéas Salati, da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável - FBDS, de Eduardo Bandeira de Melo, do BNDES, de Sérgio França Leão, da Odebrecht, e de Luiz Pinguelli Rosa, da UFRJ.

O CEBRI organizou, no dia 12 de fevereiro de 2008, a mesa-redonda "Amazônia e a Integração Física Sul-americana: conservação e valoração dos serviços ambientais com desenvolvimento econômico", que contou com a palestra de Pedro Bara, Diretor de Política para a Amazônia da WWF, e os comentários de Enéas Salati, da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável - FBDS, de Eduardo Bandeira de Melo, do BNDES, de Sérgio França Leão, da Odebrecht, e de Luiz Pinguelli Rosa, da UFRJ. O debate teve como propósito elucidar o papel da Amazônia nas políticas energéticas de longo-prazo; os impactos dos projetos de infra-estrutura sobre os recursos naturais da região e a relação entre estes projetos e os de desenvolvimento regional, as conseqüências do desmatamento sobre alterações climáticas, padrões de precipitação e produção agrícola.

Inicialmente, Pedro Bara atentou para a necessidade de se "valorizar" o "valor" da Amazônia. Dentre os fatores que influenciam a Amazônia, o palestrante citou a identidade, as corporações, a informação e o conhecimento, e a Agenda 21. Como novos vetores de influência, figuram o poder da China como mercado emergente e a opinião pública a respeito das mudanças climáticas, ambas apontadas por ele como sendo uma ameaça e igualmente uma oportunidade para a região.

Sobre a IIRSA - Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional Sul-americana - esclarece que sua prioridade é o transporte, concretizado por meio da construção de estradas. A questão energética também é considerada extremamente importante, mas o tratamento do tema é mais complexo. Embora o governo peruano tenha concedido grandes parcelas de seu território amazônico para a exploração de óleo e gás, Bara não considera que este seja um cenário ideal pra a Amazônia. Afirmou, ainda, que o sistema de hidrovias tampouco é uma prioridade.

Em termos de expectativas quanto aos mega-investimentos, Bara elencou os seguintes fatores como necessários à obtenção de um resultado positivo: aumento da produtividade do uso da terra; garantia de sustentabilidade socioambiental de produtos e de serviços tradicionais; respeito aos valores culturais; investimentos em ciência amazônica; centros e redes de excelência; pagamento de serviços ambientais; incentivos para a redução de desmatamentos e de degradações; sistemas agroflorestais e climáticos; a atenção global; princípios e boas práticas; e os critérios socioambientais da indústria.

Enéas Salati apontou que o clima amazônico é dependente da floresta e que uma modificação climática advém de um desmatamento em grande escala, o qual pode acarretar graves conseqüências para as regiões vizinhas. Eduardo Bandeira de Melo falou sobre o papel do BNDES e esclareceu que todos os bancos estão hoje cada vez mais ligados à responsabilidade ambiental - especialmente por pressão da opinião pública -, mas que para os bancos de desenvolvimento trata-se de uma obrigação. O BNDES é sempre chamado a financiar projetos que incluam a preservação do meio ambiente. Em relação, mais especificamente, ao desmatamento da Amazônia, o BNDES incentiva atividades sustentáveis que sejam alternativas à degradação, a exemplo do projeto de reflorestamento com eucalipto, objetivando que o carvão vegetal se torne fonte regular e legal. Melo confirmou, ainda, que o Banco não financia terrenos em construção, o que seria quebra de modelo para atribuir valor à área de reserva legal.

Sérgio França Leão afirmou que a realização de uma avaliação ambiental-estratégica muitas vezes é decisão empresarial, não havendo necessariamente exigências governamentais. Lembrou que a hidrelétrica de Itaipu - uma das maiores do mundo - reúne hoje várias histórias de sucesso ambiental, embora tenha sido construída numa época em que a preocupação ambiental não era tão relevante. Explicou também que o impacto ambiental de vários projetos de pequeno e médio porte supera o de projetos de grande porte, embora sejam alavancadores de grandes recursos. Acrescentou que, hoje em dia, as empresas têm um papel mais ativo, ao não executarem apenas a construção, mas assumindo uma postura responsável e empreendedora quanto a pesquisas de avaliação e de impactos ambientais. Ademais, defendeu que a integração no Brasil deve permitir fluxos de bens e de riqueza, procurando preservar as especificidades da região. Pinguelli Rosa disse que o Brasil deve pensar a questão ambiental de forma compatível com a pobreza. Considera, ainda, que o país é perdulário com a energia, pois temos mais do que precisamos, e que o desmatamento da Amazônia é em grande parte ilegal, engendrado pela falta de controle da polícia.

 



Centro Brasileiro de Relações Internacionais