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A emergência da China no cenário internacional

14/02/2006

O CEBRI recebeu, em 14 de fevereiro de 2006, o Embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, Chefe da Missão Diplomática do Brasil em Beijing, que proferiu palestra sobre "As relações Brasil-China".

O CEBRI recebeu, em 14 de fevereiro de 2006, o Embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, Chefe da Missão Diplomática do Brasil em Beijing, que proferiu palestra sobre "As relações Brasil-China". O Embaixador Botafogo, Presidente do CEBRI, na abertura do evento, ressaltou que atualmente a China constitui um ponto de referência no estudo da política internacional. O país atrai e assusta em face dos impactos que causa, mas ainda não houve tempo de se fazer um balanço a respeito do que representa sua espetacular emergência, em especial econômica, no cenário mundial.

Castro Neves iniciou dizendo que suas primeiras impressões são de que a China é um país imenso, difícil e fascinante, e que sua atual expansão e geração de riquezas constituem, historicamente, o único caso comparável ao desenvolvimento dos Estados Unidos no final do século XIX.

Destacou que as grandes transformações políticas, sociais e econômicas foram lançadas na gestão do Primeiro Ministro Teng Hsiao Ping. Suas principais características foram as inversões estratégicas no processo de desenvolvimento, um socialismo de mercado com características chinesas, a privatização, a promoção da iniciativa privada e a inserção do país no sistema internacional. Nos campos político e social, observou que, ao contrário do ocorreu na Rússia, as reformas econômicas precederam as políticas e sociais, pois houve a percepção de que a Glastnost e a Perestroika aconteceram na ordem inversa e que, portanto, isto não deveria se repetir na China.

Segundo Castro Neves, a China pretende realizar uma completa inserção no mundo globalizado e, para tanto, certos nacionalismos regionais perderam o sentido de existir, muito embora o forte controle central nas áreas política, social e econômica tenha se mantido. Ocorre um grande esforço para melhorar o nível de vida de 300 milhões de chineses que vivem em extrema pobreza e hoje nota-se uma grande preocupação com os graves problemas de corrupção e de poluição ambiental - já livremente debatidos na mídia - pois sabem que prejudicam a imagem internacional do país.

Com relação ao desenvolvimento econômico chinês, Castro Neves forneceu aos participantes uma vasta quantidade de índices macroeconômicos. A partir das últimas revisões do Banco Mundial, o PIB convencional chinês é da ordem de US$ 2 trilhões e o PIB pela paridade do poder de compra, US$ 7.5 trilhões - correspondendo, respectivamente, à quarta e à segunda economia mundial. O crescimento da economia chinesa alcançou 9.3% nos últimos 10 anos e 9.9% nos últimos 13. A China é o segundo país do mundo, logo atrás dos EUA, em recebimento de Investimento Estrangeiro Direto. O saldo da balança comercial chinesa é da ordem de US$ 100 bilhões, com grande agregação de valor às matérias primas. A inflação se mantém abaixo dos 2%. As reservas cambiais são da ordem de US$ 820 bilhões, dos quais US$ 140 estão em Hong Kong, metade destas reservas constituem-se de bônus do tesouro americano. O yuan não está mais atrelado ao dólar americano e, sim, a uma cesta de moedas de vários países.

Com relação à sustentabilidade da economia chinesa Castro Neves ressaltou os seguintes fatores: grande capacidade de exportação; custos de mão de obra e de produção muito menores que em outros países; geração de empregos no interior do país face à mão de obra mais barata; equilíbrio das contas públicas; arrecadação pelo governo central de 69% de todos os impostos e tributos; e participação de multinacionais em metade dos grandes empreendimentos.

No que concerne às relações China - Brasil, Castro Neves relatou que o Brasil é um dos poucos países que tem, com aquele país, saldo positivo na balança comercial: em 2000 o déficit do Brasil foi de US$ 200 milhões, e em 2005 a situação inverteu-se para um saldo de US$ 1.5 bilhões. O Brasil apresenta boa qualificação para exportar soja e carnes, entretanto o processo de exportação é complexo face às exigências de muitos certificados e preocupação com relação à febre aftosa e à gripe aviária. Os investimentos chineses no Brasil são equivalentes aos brasileiros na China, são exemplos a EMBRACO, a WEG Motores, a Tramontina e a 1700 calçadistas que já transferiram integralmente sua produção para a China.



Centro Brasileiro de Relações Internacionais